Entre legado e escolha: Nucleus reúne nova geração de líderes em Curitiba com Allan Birman
Encontro privado reuniu jovens empresários e sucessores de diferentes regiões e setores do país para uma manhã de conversas sobre sucessão, carreira, empreendedorismo e os desafios de construir o próprio caminho

No dia 26 de agosto, Curitiba recebeu mais um encontro da Nucleus Brasil. Em uma manhã dedicada a conversas sobre sucessão, empreendedorismo e construção de legado, jovens empresários e sucessores de diferentes regiões do país se reuniram para trocar experiências e ouvir Allan Birman, fundador e CEO da Venda.ai e integrante da nova geração da família à frente da história construída pelo Grupo Azzas 2154.
Realizado em parceria com a MB Family Advisors, do grupo Marins Bertoldi, o encontro reuniu participantes vindos de estados como Paraná, São Paulo, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Sul, representando diferentes realidades do ambiente empresarial brasileiro.
À mesa estavam jovens ligados a grupos dos setores de construção, agronegócio, manufatura, varejo, engenharia, mercado financeiro, logística, bebidas e outros segmentos. Apesar das diferenças entre suas empresas, regiões e trajetórias, muitos compartilhavam uma questão em comum: como assumir responsabilidade sobre um legado sem abrir mão da construção de uma trajetória própria?
Foi a partir dessa pergunta, em suas diferentes formas, que boa parte da conversa se desenvolveu.
O privilégio de ter opções — e a responsabilidade de escolher
Ser sucessor de uma grande empresa familiar costuma ser observado de fora como uma posição em que os caminhos já estão definidos. A conversa com Allan Birman mostrou uma realidade mais complexa.
Ao compartilhar aspectos de sua própria trajetória, Allan falou sobre um desafio recorrente entre membros de novas gerações de famílias empresárias: quando existem muitas possibilidades disponíveis, escolher qual caminho seguir pode ser tão difícil quanto criar oportunidades onde elas não existem.
A discussão passou pela relação entre expectativa familiar, vocação individual e responsabilidade. Entrar no negócio construído pelas gerações anteriores? Buscar experiência fora dele? Empreender? Preparar-se para futuramente assumir uma posição dentro do grupo?
Mais do que encontrar uma resposta universal, a conversa evidenciou que sucessão empresarial também é um processo de construção de identidade.
Para quem nasce próximo a uma grande organização, construir uma carreira própria envolve compreender o legado recebido, mas também identificar onde suas próprias capacidades, interesses e ambições podem gerar valor.

De uma dor identificada dentro de um grande grupo ao empreendedorismo
A experiência de Allan à frente da Venda.ai trouxe outra dimensão para a discussão.
A origem do negócio partiu da observação de um problema real. Em contato com a operação de um grande grupo empresarial, Allan identificou uma dor que poderia ser solucionada por meio de tecnologia.
Mas perceber um problema foi apenas o início.
Durante a conversa, ele compartilhou como avaliou diferentes oportunidades antes de decidir qual problema efetivamente valeria a pena resolver. A discussão passou por temas fundamentais da construção de uma empresa: validar uma necessidade, definir onde concentrar energia, transformar uma percepção em produto e escolher as pessoas certas para participar dessa jornada.
A escolha de um sócio também ganhou espaço na conversa.
Em um ambiente no qual frequentemente se discute empreendedorismo a partir de ideias, valuation ou crescimento, o encontro trouxe a discussão para uma dimensão anterior e mais humana: com quem vale a pena construir?
Sócios dividem muito mais do que participação societária. Dividem decisões difíceis, riscos, responsabilidades, momentos de incerteza e, quando a empresa cresce, a obrigação de liderar outras pessoas.
Quando empreender deixa de ser apenas sobre o empreendedor
Outro tema que marcou a conversa foi a mudança de perspectiva que acontece à medida que uma empresa começa a formar uma equipe.
A decisão que inicialmente envolve o fundador e seus sócios passa a afetar um número cada vez maior de pessoas.
Por trás de cada profissional contratado existe uma família, uma carreira e uma expectativa de futuro. Liderar, portanto, significa compreender que determinadas decisões empresariais possuem consequências que ultrapassam os limites da própria organização.
Para uma geração que muitas vezes começa a assumir posições de liderança ainda jovem, essa responsabilidade ganha relevância especial.
O crescimento profissional deixa de ser medido somente pela capacidade de executar ou tomar boas decisões individualmente. Passa também pela capacidade de formar equipes, assumir responsabilidade por escolhas difíceis e compreender o impacto que a liderança exerce sobre aqueles que decidiram participar de uma determinada visão.

Sucessão não começa na transferência patrimonial
A programação também abriu espaço para uma discussão técnica conduzida pela MB Family Advisors, abordando governança corporativa, planejamento sucessório e desenvolvimento das novas gerações dentro de empresas familiares.
O debate reforçou uma ideia central: uma sucessão bem estruturada não acontece no momento em que patrimônio ou posições executivas mudam de mãos.
Ela começa muito antes.
Preparar uma nova geração significa desenvolver repertório, criar experiências profissionais, estabelecer estruturas de governança e formar pessoas capazes de tomar decisões quando a responsabilidade efetivamente chegar.
Em empresas familiares, continuidade patrimonial e continuidade empresarial são questões relacionadas, mas não necessariamente iguais.
Preservar um patrimônio exige planejamento. Preservar a capacidade de uma organização continuar criando valor ao longo das gerações exige, além disso, liderança.
Foi justamente nesse ponto que as discussões técnicas conduzidas pela MB Family Advisors encontraram as experiências compartilhadas por Allan: legado não é apenas aquilo que uma geração recebe. É também aquilo que ela decide fazer com o que recebeu.
Uma mesa formada por diferentes Brasis
Se Allan foi o convidado central da manhã, parte importante do encontro aconteceu também entre os próprios participantes.
A presença de jovens vindos de diferentes estados e ligados a setores tão distintos criou um ambiente pouco comum: sucessores do agronegócio conversando com empresários do varejo; representantes da indústria dividindo experiências com profissionais do mercado financeiro; jovens ligados à construção, engenharia, logística e bebidas discutindo problemas que, apesar das diferenças entre seus negócios, muitas vezes se mostravam semelhantes.
Esse encontro entre diferentes realidades empresariais é parte central da proposta da Nucleus.
Mais do que simplesmente ampliar uma rede de contatos, a intenção é criar relações entre pessoas que provavelmente acompanharão umas às outras durante diferentes fases de suas trajetórias profissionais.
Algumas estão começando novos negócios. Outras se preparam para assumir responsabilidades em empresas construídas por suas famílias. Há aquelas que já ocupam posições de decisão e aquelas que ainda estão definindo qual será seu papel dentro — ou fora — do negócio familiar.
O valor da rede está justamente nessa diversidade.
Porque uma relação construída aos 20 ou 30 anos pode assumir significados completamente diferentes dez, vinte ou trinta anos depois.

Construindo relações antes que elas sejam necessárias
O encontro de Curitiba representa também um novo capítulo na expansão da Nucleus Brasil.
Criada pelos irmãos Lucas Loffreda e Renan Loffreda, a comunidade nasceu com a proposta de aproximar uma nova geração de empresários, sucessores e lideranças brasileiras por meio de encontros privados, experiências e acesso a pessoas e instituições que possam contribuir para sua formação.
A lógica é simples: as melhores redes de relacionamento não são construídas quando se precisa delas. São construídas antes.
Em um ambiente reservado e com um grupo selecionado de participantes, conversas que dificilmente aconteceriam em grandes conferências ganham espaço. Experiências podem ser compartilhadas com mais abertura, dúvidas podem ser discutidas entre pares e relações podem surgir de maneira mais orgânica.
Curitiba demonstrou isso.
Durante algumas horas, pessoas de diferentes estados, famílias, empresas e setores deixaram seus contextos particulares para dividir a mesma mesa e conversar sobre questões que acompanharão boa parte de suas vidas profissionais: como escolher um caminho, como honrar um legado, como construir algo próprio e como estar preparado quando chegar a hora de liderar. Não existem respostas simples para nenhuma delas.
Mas talvez o primeiro passo seja justamente estar cercado de pessoas que também estejam fazendo essas perguntas.
Esse é o espaço que a Nucleus Brasil busca construir.



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